Agência das Nações Unidas pede preparação de escolas, unidades de saúde e redes de proteção diante da previsão de El Niño intenso.
Mais de 30 milhões de crianças e adolescentes no Brasil vivem em áreas expostas a pelo menos dois riscos climáticos, segundo alerta do Fundo das Nações Unidas para a Infância divulgado na quinta-feira, 8 de outubro. A organização teme que o fenômeno El Niño previsto para 2026 e 2027 amplifique episódios de calor extremo, seca, incêndios e chuvas intensas.
A exposição não significa que todas essas crianças sofrerão danos. O dado identifica vulnerabilidade territorial e ajuda a indicar onde medidas preventivas podem evitar interrupções de aulas, falta de água, problemas de saúde e dificuldades de acesso a alimentos.
Em escala internacional, a organização estima que mais de 347 milhões de crianças, distribuídas por quase cem países e territórios, poderão viver em locais com chuvas acima ou abaixo do padrão esperado. As estimativas combinam modelos de previsão sazonal, dados populacionais e registros históricos do comportamento do El Niño.
O Unicef considera que a antecipação das condições meteorológicas permite agir antes de emergências. Entre as providências recomendadas estão reforçar sistemas de alerta, planejar a continuidade das aulas, organizar suprimentos para atendimento de saúde e ampliar a capacidade de resposta das redes de assistência social.
O Brasil já registrou efeitos extensos de desastres climáticos sobre a educação. As enchentes do Rio Grande do Sul em 2024 afetaram centenas de milhares de estudantes, enquanto períodos de seca na Amazônia comprometeram transporte escolar, água e acesso às escolas em comunidades isoladas.
A agência defende atenção específica a crianças pequenas, famílias de baixa renda e comunidades com infraestrutura precária. O risco climático não se distribui de forma uniforme, e a mesma ocorrência pode produzir consequências mais graves onde serviços públicos e moradias oferecem menor proteção.





