Expectativas divulgadas pelo Banco Central reforçam preocupação com preços acima da meta, enquanto investidores acompanham próximos passos da Selic.
Analistas consultados pelo Banco Central elevaram para 5,01% a projeção de inflação do Brasil em 2026. O número consta do Relatório Focus publicado na segunda-feira, 5 de outubro, e representa a terceira semana consecutiva de revisão para cima da expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo.
Na semana anterior, a mediana das estimativas estava em 4,99%. O novo patamar supera o teto de 4,5% da meta de inflação, cujo centro é de 3%. A projeção não é uma previsão oficial do Banco Central: trata-se da mediana das respostas enviadas por instituições e profissionais do mercado financeiro.
Para 2027, o levantamento indicou inflação esperada de 4,30%. As expectativas para prazos mais longos ajudam a identificar se os participantes do mercado acreditam que a alta dos preços será passageira ou continuará por mais tempo.
Os juros básicos também estão no radar. A Selic se encontra em 13,75% ao ano e parte do mercado considera possível um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de novembro. Essa hipótese depende das informações avaliadas pelo Comitê de Política Monetária e não constitui compromisso da autoridade monetária.
Juros elevados encarecem o crédito, afetam investimentos e reduzem o ritmo de determinadas compras financiadas. Em contrapartida, buscam conter pressões sobre os preços. A relação entre juros e inflação ocorre com defasagem, o que explica a atenção do Banco Central às perspectivas para os meses seguintes.
O Focus divulgado no início de outubro foi produzido antes da publicação do IPCA de setembro, conhecido nesta sexta-feira. Por essa razão, suas estimativas ainda não incorporavam integralmente a leitura mais recente da inflação oficial e poderão ser revistas no próximo relatório.





